
RALLY DO AGRESTE - CAMPEONATO BRASILEIRO DE RALLY CROSS COUNTRY DE REGULARIDADE
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O Prólogo O sol não deu trégua e num calor de quase 40º, pilotos, organização e espectadores reuniram-se na Av. Roberto Freire, em Natal, para a realização do Prólogo, momento onde os pilotos fazem a tomada de tempo, que estabelece a ordem de largada dos competidores. A dupla Roque Veviurka e Alberto Minski, categoria Graduados, que correm com um Mitsubishi Pajero TR4R, estavam empolgados com a competição, aproveitando a maré de sorte, embalados pelas vitórias conquistadas em outros Rallyes. A equipe Lobo Guará, como é conhecida, considera o Rally do Agreste uma prova muito boa tecnicamente e por isso acham que possuem boas chances de vitória. No Prólogo os pilotos fizeram exame médico, apresentaram os carros já adesivados, realizaram a vistoria e aproveitaram para fazer os últimos ajustes.Os pilotos entraram na pista por volta das 13h da tarde, para receber a benção do padre Waldir Candido Moraes, da Paróquia Beato André de Soveral, de Natal, a convite do Presidente da Federação de Automobilismo do Maranhão, Giovanni Guerra. O sacerdote abençoou pilotos, navegadores e a organização da prova, para terem proteção durante todo o evento. E parece que deu certo, o prólogo foi realizado com sucesso, sem nenhum acidente.
Os competidores começaram a chegar por volta das 17:30h. Durante o trajeto, os aventureiros enfrentaram trechos de muito calor e seca, onde os carros tiveram que passar por subidas íngremes, exigindo muito talento dos pilotos. A organização da prova preparou uma planilha cheia de “pegadinhas”, para testar a competência dos navegadores. Foi preciso muita atenção em alguns momentos para não escolher o caminho errado. Neste trecho quem liderou a categoria graduados foi a dupla Fernando Gomes de Souza/Hugo Bubani, com o carro 34, seguido da dupla mista Marcelo Carqueijo/Roberlena Moraes, carro 21, e em terceiro Jéferson Penha/Flávio França, carro 10. Na novatos Kwong Yiu Fai/Ricardo Varella com o carro 5 abriu o primeiro trecho da prova, deixando o segundo lugar para Alcenir de Souza/Fabiano de Souza, carro 20 e José Santo/Rafael Santo, carro 7, em terceiro. Segundo dia: Mossoró –Guaramiranga Na terça-feira a prova percorreu o trecho Mossoró-Guaramiranga, onde enfrentou um perímetro de praias seguido de serras. Os competidores partiram do Hotel Thermas & Resort em Mossoró rumo à Guaramiranga. Neste trecho os competidores conheceram as salinas, nos municíoios de Grossos e Areia Branca, antes de chegar à praia de Tibau, na fronteira com o estado do Ceará, divididos apenas pelas falésias (formação rochosa feita de argila e areia). Os competidores se deslocaram durante 80Km pela areia, passando pelas praias de Manibú, Icapuí, Requenguela, Redonda, Ponta Grossa, Retirinho, Majorlândia e Canoa Quebrada. Os competidores começaram a chegar por volta das 17:00h. Durante o trajeto, os aventureiros enfrentaram trechos difíceis como um balaio no meio da trilha que dificultou a navegação. A organização da prova manteve o excelente nível técnico exigindo muita atenção das duplas Terceiro dia: Guaramiranga-Camocim No terceiro de dia do Rally do Agreste os pilotos deixaram o frescor das montanhas, no maciço de Baturité, região onde está localizada a graciosa cidade de Guaramiranga, para encarar mais um dia de trilhas no meio do agreste. A largada ocorreu as 7:01 da manhã com o carro 01 da dupla Ricardo Messias Barros/Henrique Oliveira, rumo a Camocim. A trilha percorreu a cidade de Pacoti, passando por Pernambuquinho, num intenso declive de curvas fechadas, depressões e pedras. Esta trilha exigiu muito dos carros, pois a velocidade estava mais rápida, apesar dos vários obstáculos encontrados durante o percurso. Foram 374Km até Camocim, sendo 165Km de deslocamento e 209Km de navegação. As primeiras colocações variaram a cada dia, porém já foi possível identificar os destaques. Na graduados, Fernando Gomes/Hugo Bubani conseguiram manter as primeiras colocações. Jairo Freitas/Wagner de Paulo subiu de 5º para 3º e estava bastante entusiasmado com a mudança. O bicampeão brasileiro de 2003 e 2004, Ricardo Messias Barros estava em 7º lugar, mas no rally de regularidade tudo pode acontecer, pois a prova estava exatamente na metade do percurso.
A competição amanheceu com o dia livre, para que os competidores conhecessem um pouco mais da região nordeste, já que uma das características do Rally do Agreste é valorizar e divulgar as belezas e peculiaridades da região por onde passa. A maioria resolveu visitar Jericoacoara, que fica a 24Km de Camocim, outros conheceram a região da ilha do amor e os povoados vizinhos que apresentaram uma beleza natural indescritível, onde os moradores são simpáticos e receptivos. Por volta das 4:50h os carros já se reuniam na largada, às 5:01 largou a dupla Roque Veviurka/Alberto Minski Jr.(carro 15), dava para ouvir o ronco do motor há quilômetros de distância. Em segundo largaram Marcelo Costanzo e Ronald Rezende com o carro 8. Na seqüência o 18 de Daniel Brasil de Souza e Neurivan Calado e todos os outros 16 carros da graduados, com intervalo de 1 min e os 10 da novatos, cerca de 20 min depois. Seria mais um dia de trilhas pela frente e a sexta-feira mais longa do ano. Camocim-Barreirinhas foi o maior trecho e também o mais bonito. Imagine percorrer 3 estados em apenas 12 horas. Foram 459,33 Km de prova, a ser realizada em 11:59hs para os novatos e 11:31 para os graduados. O primeiro trecho começou nas dunas, bem na saída da cidade, rumo a Maceió, um vilarejo bem próximo a Camocim, depois os competidores passaram por Barroquinha, Chaval, localizada na divisa do Ceará com o Piauí, até chegar em Cajueiro da Praia uma APA - Associação de Proteção Ambiental no Delta do Parnaíba. Na Lagoa do Portinho, houve um neutro de 15 minutos, em Parnaíba os pilotos aproveitaram os outros 15 minutos disponíveis para se refrescar, comer alguma coisa e cuidar do carro, mesmo que fosse para esfriar os motores, do carro, porque os competidores estavam a mil, prontos para prosseguir nas trilhas do Rally do Agreste, rumo à Santana do Maranhão, Barro Duro e Tutóia. Em Paulino Neves fizemos uma pequena parada antes de entrar na região das dunas, um trecho belíssimo que sob a luz do pôr do sol resulta numa paisagem de cair o queixo. Depois de passar pelas difíceis trilhas nas dunas, os pilotos chegaram finalmente em Barreirinhas, por volta das 16:40h. Foi um dia longo, difícil, e estavam todos precisando de um bom descanso. Muitas posições seriam invertidas depois de navegar por 208.8Km de trilhas. A disputa estava forte. Quatro competidores ganharam uma etapa, com exceção do Jairo Freitas, que ganhou duas: a 4ª e a 6ª, Fernando Gomes e Hugo Bubani ganharam a 1ª etapa, Roque Veviurka e Alberto Minski faturaram a 5ª e o campeão do ano passado, Ricardo Messias Barros e seu navegador Henrrique Oliveira chegaram em primeiro na 3ª etapa. Último dia de prova Os pilotos largaram mais tarde no último dia de prova, às 9:01h da manhã. O sábado reservava momentos de puro agreste, muitas estradas emburacadas, trilhas difíceis, algumas pedras pelo caminho e um calor de mais de 30º. Esta última etapa poderia ser o diferencial para a decisão da competição, ficar bem colocado nesta fase seria a chance de estar entre os melhores e quem sabe conseguir um lugar no pódium. A preocupação era grande e a responsabilidade enorme. Alguns carros estavam devidamente revisados, outros porém, não conseguiram fazer os ajustes necessários mas seguiram assim mesmo, o objetivo era chegar a São Luis, nem que fosse para trazer o carro no braço, sem amortecedor, como muitos carros que enfrentaram este problema. A chegada foi realizada a beira da Lagoa da Jansen em São Luis. Os carros alinhados chamavam a atenção de quem passava por ali. Pick ups de todos os tipos e modelos, 4x4 modificados para enfrentar os mais diversos terrenos. Os pilotos desfilavam com suas equipes e um satisfeito sorriso no rosto mostrando a sensação de ter chegado ao destino final, depois de 2.000Km rodados, em 7 dias de prova, passando por 5 estados brasileiros, só o fato de chegar já seria um prêmio. O resultado foi decidido através de um desempate, onde um descarte foi o critério utilizado. A diferença ficou em apenas 1 ponto. Em Rally de Regularidade cada detalhe conta muito e um ponto faz toda a diferença. Jéferson Penha e Flávio França foram os campeões do Rally do Agreste 2005, na categoria graduados, um título de respeito. Jairo Freitas e Wagner Paulo fizeram bonito e ficaram em segundo lugar, a um ponto do primeiro. Fernando Gomes de Souza e Hugo Bubani são os terceiros colocados, já o campeão de 2004 Ricardo Barros e seu navegador Henrique Oliveira ficaram em 4º e Daniel Brasil de Souza e Neurivan calado ficaram com a quinta colocação. O Rally do Agreste de 2006 já está sendo planejado, os estudos estão sendo feitos na região de Natal, passando pela Paraíba, na cidade de Campina Grande, Juazeiro do Norte, no Ceará, Petrolina, em Pernambuco, Paulo Afonso, na Bahia e finalizando em Maceió- AL, passando por Sergipe. Uma das características do Rally do Agreste é proporcionar a melhor fotografia do Brasil na menor distância, o que isso quer dizer? Que você passa pelas mais exóticas e surpreendentes paisagens tão próximo, que não só pode tocá-la, como passa a fazer parte dela. Não por muito tempo, se falarmos das dunas, porque venta tanto, que em minutos as pegadas desaparecem nas dunas. Mas se compararmos ao traçado da pista, ai muda tudo. Uma vez iniciado um traçado nas trilhas, depois do 4º carro a trilha já está funda e só resta mostrar que carro e piloto tem muita potência. Foram saltos, brecadas bruscas, duas rodas pelo ar, às vezes até as 4 enfim, momentos inesquecíveis que você confere nas fotos de Haroldo Nogueira e que servem para te deixar com água na boca e pensando: no ano que vem eu quero estar lá.
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